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REVISTA LITERATURA 

Editora radical: o que o mercado não quer oferecer, mas os autores precisam.

No mercado do livro, o autor se tornou coadjuvante, e ainda há quem diga que obsoleto. Enquanto muitas editoras pequenas e médias surgem todos os dias, a missão que todas têm em comum é satisfazer as necessidades dos autores de “saberem fazer”. Publicamente, essas editoras se colocam no lugar de “solução e facilitação”, enquanto tentam manter o mercado fechado sob o verniz de “Mercado Tradicional”.

E nem é esse caos que a pequena editora e livraria criada em 2024 no litoral de São Paulo, por uma ex-gerente editorial e autora romancista, promete enfrentar com a proposta de que o mercado literário não pode mais se apoiar em um “tradicional” de exceção, que caiu tanto no desuso que se tornou raridade.

A Editora e Livraria Encantos da Kaly se apoia no que para o mercado literário pode ser lido como “radical”: uma editora criada para autores independentes, um processo de publicação mentorado quase que semanalmente e uma livraria sem cobrança de royalties por vendas.

Essa pequena, porém promissora, casa editorial não promete revolução apenas para os autores, mas também para os profissionais do mercado, com autonomia de cobrar, junto à editora, o valor que acharem devido aos seus serviços.

Uma editora não apenas focada em prestar serviços e vender o livro, mas em formar um autor atualizado, autônomo e capacitado a construir não apenas uma publicação, mas uma carreira desde a primeira publicação.

Em recente live de um dos projetos da editora, a publisher Kallyne Martins, conhecida como Kaly, declarou estar organizando a técnica de mentoria e publicação mentorada da editora em um livro que esperamos que, ainda este ano, alcance mais leitores.

“O códice é um compilado de ferramentas, técnicas e aulas que eu finalizei em 2023, que este ano eu reencontrei e agora estou focada em revisar. É para ser uma espécie de matriz para os autores, para ler e consultar, com ferramentas claras e aplicáveis ao dia a dia.”

A editora Kaly, bem-humoradamente conhecida na internet como “cabeça de vento e coração de ouro”, lembra em seu canal do YouTube do maior elogio que recebeu de um internauta de fora da editora:

“Disse que minha editora parece um campo de girassóis. Eu gosto disso! E espero que seja mesmo, mas só quem vai poder dizer são os autores”.

Será? Em um vídeo nas redes sociais, uma autora da editora expôs como foi o processo de publicação e uma coisa diferente chamou a atenção: classificações de idade e lista de conteúdos nas capas dos livros.

Em uma live surpresa para o canal de influência literária Toca do Aventureiro com outros autores, Kaly declarou que “A classificação nos livros é nova aqui na editora, e já é padrão. Não custa nada e ajuda as pessoas, principalmente crianças e adolescentes, a ler coisas adequadas às suas idades. Como romancista de livros com erotismo, não me sinto confortável com alguém muito jovem com o meu livro nas mãos.”

Um campo de girassol, mas talvez não sempre tranquilo. Outro autor que trabalhou na editora declarou anonimamente:

“Meu livro demorou muito tempo na leitura crítica e preparação do texto, isso me deixou apreensivo com os prazos, mas no final foi uma publicação bem tranquila. Nós nos encontrávamos quase todas as semanas, então eu sempre sabia o que estava acontecendo. A Kaly pode parecer confusa de primeira, com umas maluquices nas ideias, mas faz de tudo para te ajudar ou se fazer entender. Já mandei mensagem de madrugada e durante o almoço, ela sempre responde rápido e me ajuda.”

Será que esse é o pensamento radical da editora quando comparada a outras? Ajuda e acesso? Segundo o próprio site da editora, sim. Acessibilidade financeira parece ser uma prioridade, além de confiança e pluralidade. Ao que tudo indica, em um mercado com tantas polêmicas e cobranças por parte das editoras, com autores independentes em expansão, a editora mais “radical” é aquela que investe tempo e conhecimento não apenas no livro, mas no autor.

O coração de ouro, dito pelos internautas, extrapola os autores com alguns projetos novos lançados em 2025 e 2026. Projetos como oficinas literárias gratuitas online para autores independentes, com temas selecionados pelos próprios autores e aulas com até 2h, com fornecimento de certificado de participação para contagem de horas complementares de universitários.

E o mais novo: Clube do Livro em parceria com Eduarda Azambuja, assessora literária focada no nicho de livros digitais. A união da editora e da assessora em um clube do livro pago traz como princípio transformar leitura em ação social, fornecendo aos leitores uma experiência gamificada de um clube de leitura com acúmulo de pontos e trocas por brindes. E ainda transfere todo o lucro da mensalidade do clube para uma entidade sem fins lucrativos.

Em um mercado em chamas, cresce discretamente um pomar com sombra e ar fresco para os autores dessa nova geração de profissionais. Fiquem atentos aos passos dessa editora “radical”

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